sábado, 25 de abril de 2009

Pessoal, estamos mudando de endereço

De agora em diante, o bloguinho mudará de casa. Iremos para o ...


Esperamos que nos acompanhem e blá, blá, blá. Recoloquei alguns dos últimos textos por lá com algumas poucas modificações e há um novo texto, novinho em folha por lá. Claro, além desse novos rabiscos virão e tudo mais. Porém, esse espaço ficará no pause por simples motivos técnicos e de cunho ligado às bobagens que passam na minha cabeça e de Carlinhos. Coisa nossa mesmo.

O importante é saber que o endereço mudou e que não pararemos de publicar.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Esvaziando a caixa

Palavras & Arranjos VII

Por culpa de uma das muitas teorias poundianas (inclusive, o Gabriel já escreveu sobre um dos livros do E.P.), tenho convivido com um poeminha que insiste em não sair da cabeça. Vem e vai com uma facilidade incrível. Por muitas vezes nesses dias, me pego recitando o troço - sei de cabeça apenas a primeira e a última estrofe. Ele me martela a cuca. Mas minha sorte reside na maestria do tal poema. Fora isso estaria perdido, seria como estar a mercê de um setanejão brabo, daqueles de cowboys contemporâneos, de gosto pra lá de duvidoso.

A teoria que falo se refere à necessidade básica, segundo Pound, da rima e do ritmo na poesia. Coisa nada fácil de alcançar num nível avançado, claro. Prova disso é o que está aqui embaixo: essa coisa linda me castiga - castigo dos mais prazerosos, esclareço -, me sufoca os pensamentos quando menos espero.

Eis agora a covardia jobiniana ao piano e os cabelos brancos do poetinha ao microfone. E digo: este é o momento em que esvazio a caixa pensante. Salve! Que me venham mais coisas desse nível ao pensamento.

Soneto de Fidelidade

De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.

Eu sei, eu sei. Ouvi-los seria, digamos, perfeito. Youtube está aí para isso.



Mudando de assunto e ao mesmo tempo falando da mesmíssima coisa...
Tenho em mãos um livro de poemas de Fernando Pessoa. Será? Acho que sim. É, devo ter arrumado sarna para me coçar, eu sei. Coisas à cabeça, troços que invadem o pensamento, passeiam por lá até que esvaziemos a cuca a fim de arrumar espaço para mais troços e coisas relevantes para colocar em seu lugar. Sigamos a vida lendo. Eis a dica minha para os loucos que me lêem, o que já seria uma baita contradição. Vão ler o que vale a pena, ora bolas!

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Valsa do olhar urbano

Enquanto uma linha cantava, eu lia uma página. Quando outra linha dançava, eu relia um parágrafo. Eu tocava o papel e imaginava. O vento empurrava uma página na outra. As linham se gostavam, se alinhavam. Eu olhava para o livro, evitava o vento, relia as linhas e as palavras, gostava. Eu não olhava para ninguém, somente para o livro.

Mas ia mudar...

Do meu lado, um homem de muletas entrava no vagão. Por pouco, não me derrubava. O homem andava e pedia. Um outro lhe dava às costas, outro lhe balançava a cabeça. Eu olhava para o livro e para o pedinte. O homem falava e pedia. Com o livro na mão, eu olhava e torcia para não ser notado. As palavras me chamavam. As muletas balançavam. As pessoas não olhavam. Eu evitava. Vagão a dentro, sem uma perna, o homem partia a pedir. Os olhos no livro, parei de olhar o homem.

Noutro vagão, noutro trem, um menino gritava fino a cada barulho agudo dos trilhos. A mãe lhe protegia os ouvidos com as mãos. Assustadas, as pessoas olhavam. Eu olhava para o livro e para o menino. Gritava fino e parava. Os ouvidos cobertos. As pessoas fitavam o menino que parecia mudo. Ele gritava, a mãe se encabulava. Indignadas, as pessoas olhavam. Eu olhava para o livro aberto e para o menino. Assustado, ele gritava. O trem parava e o menino falava: parecia mudo, mas não, falava agitado, enrolado. Ele resmungava. Eu não entendia. O trem andava. Os cachoalhões aumentavam: os gritos. As pessoas se assustavam. Eu olhava. O trem parava. Na estação, o menino e a mãe se perdiam. As pessoas olhavam. As páginas me chamavam. Andava: parei de olhar o livro, o menino e a mãe.

Do outro lado dos trilhos, um grupo fantasiado cantava. Com o livro fechado, eu olhava. As pessoas olhavam. O grupo batia palmas e cantava. Eu não olhava o livro, olhava a cantoria. Eu sorria e andava. Ao fundo, um homem sentado sorria. De lá, o grupo cantava, de cá, os degraus eu subia. Sorria. Degrau à frente, uma mãe e um menino conversavam e olhavam. Ela sorria. Eu nem mais olhava o livro, sorria. Lado a lado, mãe e filho se olhavam. O menino perguntava o que eles cantavam. A mãe cantarolava a música. O menino olhava para a mãe. Com o livro fechado e a mochila ao ombro, eu olhava para o menino. Ele continuava: olhava para a cantoria e para a mãe. Ela sorria, olhava para o menino e para o grupo que cantava. Degraus abaixo, eu sorria.

No outro lado do trilho, no barulho da estação, o canto e as palmas se perdiam. Eu olhava. Olhava para a mãe que cantava e sorria e olhava para o menino. Eu pensava. Pensava no homem que pedia e no menino que gritava. No alto da escada, livro fechado, as páginas me chamando, mochila às costas, eu olhando, pensando, parei. Deixei de sorrir. Andei, segui em frente, estação a dentro.

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Foto extraída daqui.

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Carta de um exilado que acredita no futuro da nação

Meu pai recebeu um email do jornalista Cid Benjamim, irmão de César Benjamim, candidato à vice-presidência na chapa de Heloísa Helena nas últimas eleições. No email, uma carta de Bruno José Daniel Filho, irmão do ex-prefeito de Santo André, Celso Daniel, sequestrado, torturado e assassinado, em 2004, às vésperas da primeira vitória de Lula nas urnas - crime ainda não resolvido pela Justiça.

Bruno, hoje, mora em Paris devido às ameaças que sofreu e sofre depois do crime sofrido pelo irmão, há cinco anos.

"Hoje, 16 de abril, Celso Daniel, meu irmão, estaria completando 58 anos de vida. Como todos sabem, foi seqüestrado, torturado e assassinado há mais de sete anos quando era prefeito de Santo André e coordenava a elaboração do programa de governo do então candidato à presidência da república Luis Inácio Lula da Silva. Sérgio Gomes da Silva, que o acompanhava no momento do seqüestro, foi denunciado pelo Ministério Público como mandante desse crime. Foi preso por um pequeno período, mas responde em liberdade, após obter habeas corpus do Supremo Tribunal Federal, sob a alegação de que não representa perigo para a sociedade.

Apesar de todas as evidências colhidas pelo MP que mostraram que o crime foi planejado e que há pelo menos um mandante, o Poder Judiciário ainda sequer decidiu se o julgamento deve ir a júri popular porque, segundo informações que obtivemos do MP, a última das testemunhas arroladas pela defesa de « Sombra » (conforme Sérgio é chamado pela imprensa e era conhecido nos meios petistas) ainda não foi ouvida, pois nunca é encontrada. Parece-nos que expedientes como esse e tantos outros são usados para que as tramitações legais se alonguem no tempo, de modo a tornar mais difícil sua solução.

Inúmeros outros assassinatos que ganharam amplo espaço na imprensa já foram resolvidos ou a justiça já se posicionou quanto ao encaminhamento a ser dado. Como explicar que no « caso Isabella », de cinco anos, morta em 2008 ao cair do apartamento onde residia, seu pai e sua madrasta já tenham ido a júri popular e até hoje o processo de Celso segue sem essa decisão após mais de 7 anos ? Como explicar que o promotor Igor Ferreira, 3 anos após ter tirado a vida de sua esposa já tenha sido julgado e condenado e o caso de Celso segue ainda sem resposta da justiça ? Como explicar que no crime de que foi acusado o promotor Thales Ferri Schoedl a decisão final tenha sido tomada em menos de 4 anos e os indiciados pelo crime contra Celso ainda sequer tenham ido a júri popular ? Como explicar que o jornalista Pimenta Neves tenha sido condenado em primeira instância após 6 anos pela morte de sua namorada, a jornalista Sandra Gomide, e o assassinato de Celso ainda se encontra em fase de arguição de testemunhas pelo juiz?

Poderíamos citar outros crimes, mas esses já são exemplares para afirmar : há algo de estranho que impede que o julgamento dos responsáveis por seu seqüestro, tortura e assassinato não seja solucionado. Quais são as razões dessa morosidade ? Quais são as pessoas e instituições que têm interesse no sentido de que nada seja resolvido ?

Não cabe a mim julgar os indiciados, mas cabe a mim denunciar esta morosidade. Além disso tenho o direito de apontar problemas de procedimentos correntes na justiça brasileira. Por exemplo, procedimentos que impedem o juiz de tomar a decisão se o processo relativo ao assassinato de meu irmão, passados mais de 7 anos de sua morte, vai ou não a júri popular enquanto não for ouvida a última testemunha de defesa de Sérgio Gomes da Silva.

Que país é o nosso em que pessoas já condenadas em primeira instância podem ficar soltas até que todos os recursos nas demais instâncias sejam analisados enquanto nós, minha família e eu, tivemos que deixar o país em 2006 em função de intimidações, perseguições e ameaças que sofremos e depois de terem ocorrido oito mortes relacionadas à morte do Celso ? Se é justo que um julgamento tenha que chegar a seu fim para que haja punições, é justo que os procedimentos legais possam se alongar quase que indefinidamente ?

Para aqueles que esperam que eu me cale, apesar da condição de exílio que hoje vivo, outorgado pelo Estado francês, uma vida que tem um lado amargo porque fico distante de meu país e sou impedido de ver amigos e parentes, quero dizer que o presente que tenho a dar ao meu irmão em cada um de seus aniversários é e será a minha luta, mesmo à distãncia, pelo aperfeiçaomento das nossas instituições através de nossas reivindicações de punição aos culpados pela morte de Celso e de mudanças ligadas às causas que lhe deram origem.

Como aceitar que Donizeti Braga, que teria tido seu celular rastreado na região do cativeiro de meu irmão, tenha direito a foro especial no processo de investigação pelo único fato de ser deputado estadual ? Como aceitar que o « Sombra » responda em liberdade por decisão da mais importante instância do Judiciário brasileiro enquanto somos obrigados a viver exilados ? Como aceitar que a lentidão de recursos interpostos possam retardar durante anos e anos a punição de criminosos, agora que o STF decidiu que a prisão de um condenado só pode ocorrer quando julgados todos os recursos ?

Sabemos que contamos com a solidariedade e apoio de muitos que lutam e também desejam que o Brasil seja um país mais democrático e menos injusto. Que esta carta ajude neste sentido e contribua para que o caso seja equacionado o mais rápido possível.

Bruno José Daniel Filho
França, 16 de abril de 2009"

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A carta foi enviada ao Cid pela cunhada de Celso Daniel, Marilena Nakano. E a pedido dela, ele a repassou para seus conhecidos.


Palavras & Arranjos VI

* Qual música me veio à cabeça? A mesma que lhe ocorreu, certeza.


quarta-feira, 15 de abril de 2009

A relutância em admitir um ex-analfabeto literário na turminha intelectual

Texto de Carlos Simplício

Nunca fui erudito. Nunca fui culto. Nunca fui estudioso. Nunca fui um leitor assíduo. Nunca tive problemas de vista pelo excesso de leitura. Nunca tive pilhas e pilhas de livros na mesa. Nunca fui de ler até dormir. Nunca.

Já li, claro. Também já estudei, inevitável. Até acharia legal usar óculos. Mas não, nunca fui erudito. Porém, ei de mudar. Pretendo, pois, deixar o rótulo de analfabeto intelectual para trás. Mesmo não sendo culto desde sempre, quero novidades.

(É exatamente aí que começa o drama.)

"Ah, esse cara é petulante. Quem ele pensa que é? Começou a ler agora e acha que já é da nossa laia?" Comum ouvir isso, ou ver nos semblantes dos cultos perguntas como essas serem forjadas, por mais que raramente ditas. Há preconceito racial, de classe social, são muitos. Pois, sofro, sofri e vou continuar sofrendo com o preconceito contra ex-analfabetos litarários. Sofro com o desdém alheio. Nunca fui erudito, nunca fui culto nem estudioso. Mas por que não posso ansear por conhecimento no meio do caminho? Por que não me aceitam na turminha intelectual?

Essa coisa de reter o conhecimento parece mania de professor de matemática do colegial que despreza os que não sabem, se volta apenas para os que entendem previamente o que é dito. E os que não pescam de prima e querem entender, nem que lhes tome mais tempo, como ficam? Não ficam, simples. Ficam sem saber, desestimulados.

Nunca fui culto nem um leitor comedor de livros. Mas... posso mudar de ideia! E daí? Só por que não nasci com um livro na mão, não posso preferir tomá-los como amigos de infância?

"Nossa, ele leu Nietzsche com quatorze anos e esse outro menino de apenas doze verões já sabe a teoria de Marx há um ano!" Se eu ler e me interar no assunto aos vinte, sou um merdinha? Eles são mais fodas do que eu simplesmete por serem precoces? Não quero status de genial. Não sou gênio. Nunca fui erudito nem culto, genial então...

Não gosto, me incomoda saber que mudar de caminho - da ignorância à realidade - é difícil, não pelo ato em si, mas pela relutância daqueles pirracentos da turminha intelectual.

Enfim, esse ex-analfabeto literário pede: por favor, me aceitem! Antes que eu crie a minha própria gangue, me revolte, ateie fogo em colchões, faça barricadas nas bibliotecas e revolucione o mundo intelectual, fazendo com que todos reverenciem os livros e não quem os lêem.
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Foto extraída do blog Poesia Atual.


Palavras & Arranjos V

** Boa, Carlinhos! Depois desse pequenino tapa na face dos arrogantes quatro olhos, desçamos a "Ladeira" com a Orquestra Contemporânea de Olinda. Atenção ao sutaquinhu (aqui, leia-se com um pernambucanês bem acentuado) do camarada do vocal e também ao transe e às caras e bocas do percussionista - bem à frente do palco, o que não é comum. Ao vivo esse som é melhor ainda. Vi e gostei.



A saideira: "Canto da sereia". (Eles mandaram essa duas vezes no show que fui. Boa, muito boa.)



Dica para quem está em meio ao concreto: Studio SP. Nos próximos dois sábados, eles vão mandar ver por lá.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Botando a cabeça pra fora d´água, sentindo que há como ir além

Eis, agora, como me sinto em relação ao que me rodeia.

Texto de Carlos Simplício

A mesmice, aparentemente boa no momento em que lhe embriagueia, lhe adormece; claramente não tão boa quando lhe detém em face do novo; mas devastadora na maior parte dos outros momentos, vezes em que nada a sua volta parece bastar. Nada e tudo, o oito e o oitenta: a rotineira verdade e a real vida dentro dos livros e filmes ditos inteligentes: contrários que se percebidos assim, como opostos que são, podem, quem sabe, conviver, não de mãos dadas, mas sem, pelo menos, conflitar tamanhamente.

A tal realidade alheia à mesmice (a verdadeira ativação do cérebro) e a própria coisa rotineira (tudo o que se insere na indústria cultural), os ditos opostos, se separados, no sentido de não poderem viver juntos em mim, sufocam, enforcam, me privam do ar. Por que o que me rodeia não aconselha a leitura, por exemplo? Por que Big Brothers fajutos vem à tona sem mesmo me perguntarem se aquilo apenas me basta? Quero mais! Não posso? Mas levo, toco, empurro, manuseio a vida sem isso, sem o além.

Mas... horizontes parecem se revelar aos olhos. Mas... as teorias dos grandes pensadores/escritores/letristas/poetas/filósofos se abrem, se mostram por entre as páginas dos livros.

A cada dia que passa, mais eu concluo que ir além seria ótimo, que conhecer, entender, pensar, refletir sobre outras coisas seria aliviador, um respiro inteligente no meio dessa confusão.

Porém, parece que por motivos ainda desconhecidos por mim me desvirtuei, me aquietei, me afastei do meu próprio "problema". Ao longo do tempo, perdi as minhas questões, abandonei aquilo que sempre achava o certo ou o mais perto disso, por mais novo e imaturo que fui e ainda devo ser. Vejo o certo, nesse caso, como as coisas que, para mim, apenas eu me importava. Coisas abstratas, iniciadas apenas como "achismos", como "eu penso assim e nada mais importa". O certo, nessa época, era combater, resolver, lidar e principalmente entender o que me aflingia.

Nesse processo de abandono das minhas questões pessoais, das coisas do meu íntimo, acabei perdendo os estímulos que me faziam escrever.

(Pausa, suspiro, um copo d`água... mais um suspiro...)

Eis, então, o que realmente importa: há coisas que nos vêm à cabeça de um jeito vomitado, de um jeito apressado, sem necessariamente passar por um filtro do certo e errado. Coisas que têm a capacidade de fugir do comum, de não estarem aliadas, mancomudas à verdade geral. Coisas suas, que dizem respeito apenas ao seu foro. E digo, sem dúvidas, que essas não devem ser coisas ingnoráveis, postas de lado. Muito pelo contrário. Penso nessas coisas - vindas sem aviso prévio, bem de dentro, lotadas de sentimentos que nem sempre controlamos - como aquelas que merecem a nossa atenção.

Por isso, e para ajudar nesse entendimento próprio, para servir de mola propulsora, de arranque muscular para um início de uma série de injeções de doses inteligência no meio dessa vida cheia de mesmices, as grandes cabeças - não os burros cabeçudos, e sim os macucos das ideias legais, que inspiram, e norteiam - devem ser lidas, relidas e depois lidas de novo e de novo. Assim, podemos nos acostumar a realmente pensar. Quem sabe...

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[1] Em cima do que disse o Carlinhos, ratifiquemos: nas fotos, alguns exemplos de mentes que pensam e fogem da coisa como ela "é", refletem e tiram conclusões próprias e não engolem o que lhes é dito como "verdade". Na ordem: Theodor Adorno (filósofo), Charles Bukowski (escritor), Eric Hobsbawm (historiador), John Fante (escritor) e Ezra Pound (crítico).

[2] O site da Revista Brasileiros parece uma boa, uma muito boa. Vira e mexe, enfio o nariz por lá. Mais proveitoso que o ócio do dia-a-dia.

domingo, 12 de abril de 2009

Um book de apenas um pound

Palavras & Arranjos IV

Sapequei um livro das estantes da biblioteca da faculdade. Lembro bem da dica da mestra: "Para quem quer aprender a escrever há um livro obrigatório." E lá estava, quatro, cinco... todos se mostrando, como vira-latas num canil. Um do lado do outro, capa branca, letras vermelhas. Vários exemplares do Abc da Literatura me olhavam. E lá fui eu. Peguei um e trouxe para casa.

Viveremos uma semana juntos, eu e o Pound. Não o leio como um romance, consulto. Farei dele um manual durante sete dias. Desde os testes, exercícios, das indicações poéticas, tudo... Passarei os olhos apenas, não o lerei como um romance, consultarei.

É daqueles livros-anões que dizem muito. Denso e sedimentado. Eu e Pound travaremos batalhas a cada página. De que isso trata, afinal? O cara é louco? Esse Pound é bom mesmo. Livro obrigatório, sem dúvida. O título diz Abc da Literatura, coisa pouca não há de ser. Mas e essa coisa de dar testes, se dirigir tanto ao aluno como ao professor? De classificar os tipos de escritores, cheio de juízo de valor, de opiniões? Estranho, coisa de nariz empinado. Petulância de autor. Mas o Pound é bom, já dizia a mestrinha. Travaremos batalhas a cada linha.

As referências, as sedimentações, as indicações são profundas demais. Mas... e se não forem? E se forem rasas, superficiais simplesmente por estarem em um Abc disso ou daquilo, e não em um tratado filosófico/etico/retórico completo sobre algo? Nada disso, a profundidade é imensa. Opa, se é! E isso é o pior e o melhor dessa prosa toda: saber que Ezra Pound está a milhas de você e que, mesmo assim, posso travar batalhas com ele, página à página. Sorte a minha.

"Minha maior paixão"



O Mais Querido está mais uma vez perto de decidir a final do Carioca contra o Botafogo, basta ganhar a Taça Rio, no domingo. O último tri do Flamengo foi contra o Vasco, três anos seguidos: 1999, 2000 e 2001. Ano passado e em 2007, foi contra o Botafogo: bicampeonato para os rubro-negros. Será que os carinhas da Gávea pegam o tri de novo depois de três anos seguidos contra o mesmo rival?

Ao menos nesse fim de domingo, quem canta alegre no Rio de Janeiro é a torcida do Flamengo. A letra de Vamos, Flamengo é essa:

"Vamos, Flamengo
Vamos ser campeões
Vamos, Flamengo
Minha maior paixão
Vamos, Flamengo
E essa taça vamos conquistar"

sábado, 11 de abril de 2009

Linguiça, costela de boi e picanha





Sabadão de Páscoa mas nada de ovo, chocolatinho. Nada de bacalhau, coisa de português! Um belo de um churrasco, um sambinha na vitrola! Ê beleza, feras. E ainda por cima, um fim de semana de futebol. Opa, se é! Hoje, com Neymar/K.Pereira versus Keirrison/D.Souza; e no litoral, a peleja é entre Reinaldo/V. Simões e R. Pimpão/C. Alberto.

Ignoremos a discrepância entre as duplas paulistas e cariocas, pendendo fortemente para o lado da terra da garoa - a crise praiana de anos e anos fez isso aos malandros, paciência. Fora isso, os dois jogos têm temperos bem legais. São decisivos, grande contra grande...

Ambos às seis e pouco da tarde. E como hoje é dia de colocar o jornal no ar, dei sorte com o horário. Se fosse às quatro, estaria saindo de casa, dentro do metrô, indo atrás do pão dos meninos. Assim, vou poder acompanhar pela telinha, caladamente (?!), sem que ninguém perceba.

Amanhã: hora de Fla e Flu e Corinthians/Ronaldo contra o São Paulo. Aí, sim. Com a marmita garantida, olhos arregalados, unhas à boca.

O que é um domingo sem futebol? Coisa das mais chatas.

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[1] Reparem no tamanho da propaganda na capa do caderno de esportes do Estadão. Incrível! Parece mentira. O dinheiro em detrimento da informação. Mas isso aí é papo para outra hora.

[2] Essa coisa de domingo sem futebol é papo para o Carlinhos. Vou sugerir. "Não gosto que me pautem", diz. Mas vou sugerir mesmo assim. Opa, se vou.

Da origem das merdas da vida e Do fim da vida de merda

Alerta: conteúdo nada sedimentado, que pra nada serve, sem gancho, sem motivo, espirrado no teclado. "Leave now and never come back", já dizia o sábio Sméagol. Para o bem da sua sanidade: vá e não volte.

Texto de Carlos Simplício

Tudo vem da sacanagem. E no final, a vida termina ou em uma melancólica despedida ou, claro, em uma sacanagem maior ainda. Essa coisa de que tudo vira pó é balela. Tudo vira sacanagem ou se finda no momento de uma despedida pálida, de um cinza bem feio.

Um tapa na cara, uma cuspida no meio do peito, um vômito grosso no chão. E daí? Tudo veio da sacanagem. Porque a sujeira iria macular a sacanagem, se ela é uma merda mesmo. Não há o que macular. Que estapeie, que cuspa, que vomite, ora! E daí?

A vida é uma linha temporal em que nos inserimos, série de eventos que vivemos, amontoado de lembranças e esperanças? E se a vida for uma bela merda, como fica?

De onde vêm as coisas, as merdas, as sujeiras e a sacanagem, lugar onde tudo termina, fora uma despedida patética?

Vêm de um genezinho mínimo invisível? Vêm da cegonha? Vêm do divino Espírito Santo? Vêm da barriga da mamãe? Vêm de onde, afinal de contas?

De onde vem a vida? De onde vem a merda, que sempre acaba ou na sacanagem ou em um tchauzinho sem graça?

Ora, e daí? Esqueçam tudo. De que importa isso, se no fim viraremos todos pó, resultados de uma grande orgia?

Que não se negue! Não é balela coisa alguma: findaremos todos em poeira, definitivamente.

Cacete, que sacanagem!


Palavras & Arranjos III

** À parte o texto do Carlinhos, novo colaborador do blog, vamos relaxar os ouvidos. Norah Jones com "Sunrise". Consigo dormir, fones nos ouvidos com ela cantando, à época, em pleno verão paulistano, dentro de um ônibus daqueles que você olha e pensa em desistir de fazer sinal.




** Como hoje não há livro, vamos à mais música. A dica dessa vez é um dos meus prediletos. Opa, se é! Tomem aí Dave Matthews, campeões. "Where are you going" ao vivo. Dá vontade de sorrir quando ouço essa música. Vai saber...


sexta-feira, 10 de abril de 2009

EleFante, pesado e leve como uma pluma de chumbo

Você que nunca leu, olhou, viu, passou a mão, sentiu o papel, a textura, o cheiro de Pergunte ao Pó se sinta um menininho sem um ovo de chocolate na Páscoa, sem uma barrinha de Choquito que seja. É como brincar de bola sem a bola, como saber nadar sem ter mar por perto, como uma mocinha de vestido novo sem festa para ir, é como saber ler sem ter palavra alguma pra ler.

Pois, Joãozinho tem o ovo de chocolate e uma caixa cheia de Choquitos a oferecer. Opa, se tem! São duzentos e quatro pedaços de papel cheios de linhas, frases, palavras que vêm como puro cacau com amendoim para encher o estômago.

O chocolate dessa Páscoa, para quem quer um docinho de qualidade, coisa boa, tem mesmo é que pegar um livro, seja os mais fininhos ou os grandões intermináveis. Mas a dica desse bloguinho é a caixa de Choquito, chocolatinho dos mais saborosos, que o moço João deixou para nós. Língua sem papas a dele. Opa, se é! E a orelha (e prefácio) feita pelo Charles, creiam, coisa boa.

Pergunte ao Pó é daqueles livros fáceis de ler mas ainda assim densos. Por vezes, têm que se voltar ao ínicio da frase pra entender o seu sentido ou até mesmo reler uma página inteira. Joãozinho escrevia fácil. Muito bom o moço do Choquito. As linhas fluem. Arturo Bandini, o personagem principal do livro, é precisamente posto página à página, palavra à palavra, nu e entregue bem à vista de quem quiser ler, principalmente os chocólatras, amantes de doces que são.

Ah, essa Páscoa! Adoçada pela história californiana de um aspirante a escritor de descendência italiana vindo de Nebraska. E que tomem cuidado e saiam da frente: enfio o nariz na historinha de João e saio pelas ruas, suando, tomando vento no rosto, com o barulho dos trilhos do metrô, nem ligo, fera. Estou lendo e andando (!) esses dias, não quero nem saber.

Em tempo: seja em casa ou na redação, chocolate não falta. Não que me encha os olhos mas mesmo assim não ligo... lendo, andando, comendo, tanto faz. Não sei mais nada. Ah, quer saber, pergunte ao pó, ora bolas!


Palavras & Arranjos II

** Pergunte ao Pó, do americano John Fante, publicado pela editora José Olympo. Há até um filme sobre o livro. Por ora, claro, preferi o livro à película.









** Fugindo um pouco dessa americanização, por mais que sadia nesse caso, ouçamos um sambinha, coisa bem nossa. Eis, Cristina Buarque, em parceria com o Terreiro Grande, cantando "Já chegou quem faltava" de Nilson Gonçalves.


Os quatro blocos de música do cd "Cristina Buarque e Terreiro Grande - ao vivo" são uma boa pedida, principalmente o segundo, com vinte e oito minutos de samba.

domingo, 5 de abril de 2009

"Quarenta minutos antes do nada"

Exemplinho que vale a pena

Existem textos que, quando lidos, saltam pra fora do papel, da tela do computador. Eles se engrandecem, ganham vida, cor, textura, forma. O conteúdo fervilha se percebido, se lido e entendido. Abra-se a cuca, a mente, a caixa pensandora acima do pescoço e que se leia o que vale a pena. Mesmo os textos pequenos, as frases soltas, as palavras soltas que nem frases formam. Os grandes também, claro. Os textos compridos têm seu valor, ora pois. Demoram pra ser lidos mas, por vezes, valem o tempo gasto.

É possível achar pela web coisas assim. Coisas saltantes em forma de textos, seja do tamanho que for. Para todos os gostos. Singelas ou exageradas. Densas ou "de passagem". Textos pequeninos ou grandões. Uma grande rede de palavras juntadas que anseiam se mostrar para público que é sempre representado pelos olhos do leitor focados no palco, nos artistas, nas próprias palavras, os atores do espetáculo.

Um aperitivo, um exemplinho, coisa pequena, texto vinculado em um dos espaços mais seletivos e dos que mais valem a pena dentro desta tal rede de palavras. Eis um trecho de um representante de tudo o que espirrei aí em cima:

"Homenagem de um gremista fanático

Por AIRTON GONTOW

Airton Gontow, 47 anos, é jornalista, cronista e gremista fanático. Costuma dizer que não é gremista doente, "porque doente é quem torce para o Internacional".

Diante deste lindo céu azul confesso a vocês que torci muito para que os festejos do centenário do Internacional de Porto Alegre não acontecessem em momento assim tão favorável.
(...)

fui a um programa de televisão, em 2006, e quando me perguntaram se eu achava "que o Internacional tinha chances" de ser campeão, respondi: "Sua pergunta está errada"
, para o espanto do apresentador. "Não existe Internacional. Este time, aliás, deveria ser denunciado ao Procon, porque está vendendo camisetas, títulos de sócios e bandeiras, dizendo que é Internacional, mas não é, porque nunca ganhou nada lá fora!"
(...)
Neste lindo dia de céu límpido e azul conto que torci e sonhei que chegasse o inevitável dia deste centenário com o meu inimigo Internacional sem poder dizer: "Somos campeões do mundo!"

Diante deste céu azul eu digo que..Ops! Vejo que já se aproxima o entardecer. Há no horizonte uma linha distante. É vermelha. Agora está mais nítida e começa a se espalhar pelo horizonte e a dividir em parte a magnífica vista que tenho à minha frente.

O mar é azul! O céu é azul! A Terra é azul! Mas confesso que também há encanto e beleza neste tom vermelho que invade mais uma vez o espaço celeste que até há pouco reinava sozinho.

Vou ter me conformar. Está escrito nos céus. Azul e vermelho vão conviver para sempre neste duro, doloroso e lindo duelo.
"

O Juca sempre nos mostra textos diferentes, de pessoas que não necessariamente conheço. Roberto Vieira talvez seja o meu predileto entre esses que colaboram lá no blog. Sempre com frases curtas, parecendo versinhos de um poema. Dos que eu li, o amigo Roberto meteu bala, mandou bem. Até porque, tudo é muito selecionado por lá. Coisa boa não falta.


[1] O texto de Airton Gontow foi publicado pelo Juquinha em 04/04/09 às 21h53. Para quem quiser dar um confere, basta ir nos arquivos do blog e apreciar na íntegra.


Palavras & Arranjos - I

* LIVRO: li esses dias "Adorno & a arte comtemporânea" do professor mineiro Verlaine Freitas.
É de uma coleção sobre filosofia em um "passo a passo" da editora Jorge Zahar Editor
. Outra boa pedida. Livrinho com um conteúdo interessantíssimo. Um gancho, quem sabe, para mais filosofia.





* MÚSICA: Willie Nelson cantando "Can I Sleep In Your Arms".

"And I need someone's arms to hold me
Till I'm strong enough to get back on my feet"



domingo, 7 de dezembro de 2008

Hora do intervalo


"Fighters fight, right?" Esse é o motivo pelo qual o famoso lutador Rocky Balboa decide voltar aos ringues no mais recente filme da série.

Um lulator fora de combate perde a sua principal razão de ser.

Há coisas que perdem o sentido se forem colocadas fora de seu espaço, fora de seu contexto. Coisas, tradições, lendas, mitos morrem, se não perpetuados.

"Fighters fight, right?"

Pois onde estará o preto e branco para lutar com o vermelho e preto? Não teremos luta? Os lutadores, por cerca de oito meses, não se enfrentarão?

O domingo, dia sete do mês de dezembro, acabou assim: apartaram a luta.

Mas que seja a breve o intervalo.

[1] Isso aí chamou a atenção: ainda existe jogador-torcedor. Ainda bem!




[2] Vinte anos contra seis meses. É justo culpar o Dinamite?

[3] Tentem ignorar o Kléber Leite na foto, por favor.

[4] Créditos da imagem: sem créditos.
(Zico e Roberto Dinamite apertando as mãos, no Maracanã - e onde mais haveria de ser, não é verdade?)


sexta-feira, 10 de outubro de 2008

"Marcação homem a time"


Pára tudo, rapaziada!

Isso...

Parem e prestem atenção.

Sabe quando duas coisas podem parecer antagônicas, diferentes mesmo, impossíveis de se colocar lado a lado?

Certas coisas não casam e outras parecem não "poder" casar.

As que não combinam, tudo bem. Que fiquem uma de um lado, outra do outro. Beleza.

Mas que história é essa? Que lorota é essa que dizem por aí que tem coisas que "não podem andar juntas"? Palhaçada, isso sim!

Quem disse que jornalista esportivo não pode ter time de coração? Hum? Me respondam, por favor.

Aprendiz que sou, me contento em saber que ainda não tenho o dom de falar do time que mora nesse lado esquerdo aqui sem ser, digamos, parcial. Evito ao máximo, de verdade.

Mas há aqueles - de dom talvez inalcansável - que o fazem de modo imparcial. Fazem jornalismo mesmo cantando que nem louco o que sente pelo seu time.

Juca Kfouri prova que é possível ser corintiano - do preto mais escuro e do branco mais claro - e, ainda sim, ser um baita cara, um baita jornalista.

Com vocês, Juca, o corintiano:

"NÓS, CORINTIANOS , somos os tais que temos um time em vez de o time nos ter, na frase imortal do saudoso jornalista José Roberto de Aquino.

Nós, corintianos, temos a mania de nos bastar, de ir ao estádio para nos curtir, às vezes mais mesmo até do que curtir o time.

Porque nem sempre o time é daqueles de se curtir.

Mas nós, não.

Seja qual for o nosso estado de espírito, nada como um estádio repleto de nós.

Temos uma incrível capacidade de lidar com a frustração, tanto que já jejuamos por 22 anos e, mesmo assim, em vez de emagrecer, engordamos.

E como!

Consolidamos nossa maioria em tempos de seca, tornamo-nos insuportavelmente ainda mais numerosos nos tempos de colheita e nos demos até ao luxo de provar que a Série B, de Brasil, pode ocupar o espaço antes dedicado à Série A, hoje de Argentina, mas, quando nela estávamos, então A de América, que é maior que o Brasil.

(...)

No Estado e nesta desvairada cidade, cujo maior defeito, como se sabe, é não se chamar Corinthians.

Nós, corintianos, portanto, podemos e até devemos festejar a conquista que se aproxima inexoravelmente."

Para finalizar, só digo que não me esqueço de um texto no Blog do Juca, referente ao rebaixamento do Corinthians. Ele dizia que o blog não falava de Série B. Em 2008, falaria, como sempre, apenas da elite do futebol, o que inclui o Corinthians. A parte que mais que chamou a atenção foi essa:

"(...) um clube terá acompanhamento em regime de marcação homem a time, sem tréguas, mesmo na Segunda Divisão.

Desnecessário dizer o nome do time e a razão de tal decisão."

Quem disse que não se pode torcer e fazer jornalismo?

É para poucos, confesso.
crédito da imagem: 1- Daniel Kfouri

[1] O texto do Juca foi publicado essa semana na Folha de S. Paulo, com o título: "Nós, corintianos". O texto na íntegra está no Blog do Juca.

[2] Esse texto do blog está aqui embaixo, na íntegra:
"Aos navegantes

Este blog acompanhará a Primeira Divisão do Campeonato Brasileiro, como sempre.

E este blog não acompanhará a Segunda Divisão do Campeonato Brasileiro, a não ser no fim, como no ano passado.

Mas, diferentemente do que este blog fez no ano passado, um clube terá acompanhamento em regime de marcação homem a time, sem tréguas, mesmo na Segunda Divisão.

Desnecessário dizer o nome do time e a razão de tal decisão.

Começa amanhã, sábado, às 16h, no Pacaembu, contra o CRB..."




quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Quando o gigante tropeça nas próprias pernas



"Companheiros, continuem fazendo as mesmas coisas que vocês faziam". [1]

Simples, certo? Nem sempre.

Uma vitória, três pontos no bolso e a perspectiva de subir na tabela já basta, certo?

Nem sempre.

Há sempre aquele que quer mais. Sempre há aqueles não-pensantes - no mínimo pouco pensantes - que querem dar passos além das pernas.

Pois bem, em mais uma das suas, o fanfarrão - pra não dizer mais - presidente do Flamengo, falou o que todos os jornais já deram.



Rapaz, essa tal festa do hexa só fará com que os cariocas fiquem no penta mesmo.

Nada mais.

Mas sabem do pior? Tem muito flamenguista por essa nossa internet de Deus falando que é isso mesmo. São os maiorais, os melhores e têm mesmo é que festejar o sexto caneco, mesmo ainda (!) quatro pontos atrás de palestrinos e gremistas.

Vai entender esse flamenguismo.


**

"Torcedor do Flamengo, você prefere ser hexacampeão brasileiro ou que o Vasco seja rebaixado para a segundona de 2009?"

"Meu voto seria para o rebaixamento do Vasco, tendo em vista que o título seria comemorada 1 semana e esquecido…já o Vasco seria zuado durante 1 ano inteiro..." [2]

Flamenguistas bons de idéia, convenhamos, título é título. Mas mesmo assim...

Mesmo assim aqueles que pouco refletem preterem o titulo em função da queda do rival.

Essa torcida vermelha e preta mais está parecendo aquele Miranda cruzmaltino que vivia falando que vencer o Flamengo era um título à parte - basta ver o estado do seu ex-clube para perceber o quanto alheio o Vasco estava e está dos títulos que realmente importam.

Rivalidade é rivalidade, e título é título, galerinha. E não me venham falar o contrário.

Francamente...

Vai torcer mal lá na Gávea!


**


Ele mal chegou e já pegou o espírito da coisa.

[3]

Que se atenham a esse vídeo todos aqueles que prezam pelo real modo de torcer e jogar por um grande clube.


créditos das imagens:

1- Agência O Globo
(torcida do Flamengo)


2- Post do Urublog de Arthur Muhlenberg
(Márcio Braga, presidente do Flamengo)

[1] Frase do presidente Lula referente à crise bancária nos EUA, na tentativa de convencer os brasileiros a não pararem de consumir somente por se tratar de um período de crise mundial.

[2] O espaço internético do Paulo Calçade, da ESPN, - outra boa pedida esportiva -, nesta quarta-feira, tratou de dar espaço para que os rubro-negros responderem a essa infeliz pergunta.

[3] Essa é uma Palestra do Caio Júnior, técnico do Flamengo, antes do jogo contra o Sport, no Maracanã. De novo vale agradecer ao Urublog do Arthur Muhtlenberg.

sábado, 4 de outubro de 2008

Deixe para depois


Que não seja esse ano!

Que seja ano que vem, que seja daqui a dois, três, dez anos!

Que não seja justamente nesse ano.

Que vá o Fluminense, Ipatinga, Portuguesa, ou qualquer outro!

Que não seja no ano em que o futebol carioca e do Brasil se livraram de Eurico Miranda que o Vasco da Gama cairá para a Segunda Divisão.

Dos 20 clubes da Série A, o único que está proibido de cair é o Vasco.

Que o Sobrenatural permita que o ano em que a democracia prevaleceu na Colina vascaína não seja marcado pela queda de divisão.

O futebol não merece um revés tamanho, não agora, não esse ano.

2008 não pode ser marcado como o ano em que a ditadura euricana foi vencida e também - depois de tantas palhaçadas, tramoias, impáfias, corrupções, desmandos, caras-de-pau, vergonhas, tristezas, choros, incompetências, maldades e ignorâncias - como o ano em que o Vasco da Gama deixou de participar da elite do futebol.

O Vasco tinha que cair para a Segundona com o senhor Eurico Miranda na presidência, isso sim.

Agora não! Agora é a hora da democracia, não da ditadura.

Torço contra os imbecis ditadores, não contra à justiça.

2008 tem que ser o ano em que o futebol se livrou de um vírus, isso sim.

O Vasco tem ainda muitos anos para testar a sua incompetência, a sua fraqueza. Não precisa botá-las à prova justamente em 2008.

Meu desejo é um só para esse fim de ano, à parte os anseios mais íntimos, que não vêm ao caso: que caia qualquer um, menos o Vasco!

crédito da imagem: globoesporte.com
(presidente do Vasco, Roberto Dinamite, sendo hostilizado por torcedores)

[1] Sport, em Recife, e Flamengo, no Maracanã, são os próximos jogos do Vasco. Nada fácil, convenhamos.

[2] Alguém viu isso? Um copo foi atirado no campo durante a derrota vascaína para o Figueirense. E São Januário poderia ter siso interditado, e prejudicar ainda mais o time nesse finzinho de campeonato. Um copo de plástico como vilão do rebaixamento? Ih, rapaz, a coisa tá feia mesmo.

[3] E o Roberto Dinamite, tem culpa? Ele assumiu a poucos meses a presidência do clube e também não merece essa provavél queda.

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

A massa faz o esporte


Paixão pelo futebol. Algo passado de geração em geração.

A bola como primeiro presente de aniversário, o chute como primeiro movimento dentre os preferidos, as cores do time como as prediletas dentre todas as demais, o hino que não sai da cabeça, a descoberta das músicas da torcida de coração, as histórias do seu time, as façanhas do passado contadas pelos mais velhos. Tudo isso forja um torcedor.

Com isso, diz-se: a relação de um clube e sua torcida é estreita, sempre. Com variações, com nuancias peculiares, diferenças sem explicação lógica. Andam sempre de mãos dadas, ou à socos e pontapés esses que ficam fora e dentro do campo, mas sempre um perto do outro.

É batata falar: futebol sem a massa das arquibancadas fica, digamos, meio sem graça.

O Campeonato Brasileiro não foge a essa regra, camaradas. Não, não. Divulgados os maiores públicos da Série A, percebe-se infinitas situações a seream analizadas.

Quem não sabia que o Ipatinga era o time que botava mesmo gente nos estádios? Caso agravado, o mestre Juca sempre bate nessa tecla, pelo fato dos mineiros nunca divulgarem o borderô - contendo público presente, público pagante, renda, etc -, o que é coisa obrigatória segundo o Estatuto do Torcedor. Vaias, por favor!

E o público do Fluminense? Muito pouco, mas nada de anormal depois da pífia campanha no campeonato e, principalmente, depois da ressaca pela perda da Libertadores - e isso vai demorar alguns meses, se não anos pra passar.

Os pontos altos: Grêmio líder em segundo com 30 mil por jogo, e a Nação rubro-negra carioca em primeiro com 38 mil, mesmo com a vexaminosa sequência de 7 jogos sem vitória.

Os números são muitos, os fatos e situações trazidos por eles também. Mas atenhamo-nos ao início dessa prosa. Futebol sem torcida fica sem graça. Fato inegável.

O blogueiro fala agora o que pensa a alguns anos. Torço caladamente para que os bons times do Brasil sejam aqueles de maior torcida, ou melhor ainda, que sejam aqueles que levem mais público aos estádios. Cabem 15 mil? Pois lotemos esses 15 mil lugares. 10? Põe-se 10! E por aí vai.

Claro que não é para se esquecer do preço dos ingressos, da baixa qualidade do espetáculo, e da má organização do esporte - que causa isso tudo, inclusive.

Mas será que é pedir demais? Pedir por estádios um pouco mais lotadinhos é algo do outro mundo? Eu acho que não. E isso é um apelo aos clubes, principalmente.

Que os ingressos sejam mais baratos, que etádios sejam mais seguros e que o espetáculo seja mais vistoso.

E se não conseguirmos frear as exportações dos atletas e por isso a qualidade continue baixa e o futebol continue virando um esporte para se passar a bola de canela para canela, que fale-se o seguinte: façam - os clubes juntamente com as federações e a CBF - uma campanha para que o público vá ao estádios! Ele irá, mesmo com o jogo não sendo tão bonito.

É o time dele em campo, ele irá.

O futebol sem o coro pulsante das arquibancadas fica sem graça.

E tenho dito.

crédito da imagem: globoesporte.com

obs [1] Uma matéria no globoesporte.com (leia aqui) chamou atenção para esses números, apesar desses dados estarem constantemente disponíveis no site da CBF.

obs [2] Quem disse que somente nós arrastamos uma asa para esse jogo de chutar pelotas? Os argentinos não deixam por menos. Esse comercial de TV é peça obrigadotória para todo aquele que aprecia o futebol.



quarta-feira, 17 de setembro de 2008

E eles entram na última reta!


O Campeonato Brasileiro desse ano está desenhado. As coisas parecem bem claras: quem disputa o que na tabela. Os possíveis rebaixados, os candidatos ao canequinho nacional, e para quem vão as vagas nas competições sul-americanas.

Escancarou-se tudo.

N0 fim de semana, o São Paulo tirou o Flamengo da disputa pelo título, inegável; o sinal de alerta para os gremistas acendeu; o Palmeiras mostrou-se galopante em direção à primeira posição; os vascaínos começaram a coçar a cabeça, o rebaixamento está logo ali, assim como para o Fluminense; o Internacional deu sinais de recuperação, tardia é verdade; o Botafogo perdeu a chance de botar a cabeça por sobre os ombros do Grêmio, e parece que ficará nisso mesmo, disputando a vaga na Libertadores.

E por aí vai.

Ainda temos o Ipatinga acenando para a possibilidade de virar uma dor de cabeça para os outros competidores da parte de baixo da classificação; a estonteante recuperação goiana e o forte desejo do Galo³ em se firmar como candidato à queda para a segunda divisão.

O blá, blá, blá de que o título estaria no papo desse ou aquele - desde a época em que o Flamengo liderou, até agora, momento de egemonia dos gaúchos do Grêmio - está prestes a cair por terra.

Parece que ninguém aprende mesmo. São rodadas à fio, campeonato longo. Dureza total.

Bater o pé, dizer faltamente que o Fulano será campeão, e que o Sicrano será aquilo ou aquilo outro é coisa precipitada.

Fato mesmo, só a situação que se repete ano após ano: somos bastante nivelados futebolisticamente. Não há como negar. Grêmio, 1, Goiás, 2 prova isso. Assim como o fato do embalado Botafogo ter perdido para o Internacional, no Rio. O 1 a 2 mostrou que um time em crise, ou caminhando para uma, tendo um quarteto diferenciado¹, pode ganhar fora de casa, mas ao mesmo tempo é bem capaz de ficar apenas no meio da tabela.

O nosso futebol é assim. Cai, levanta; sobe e desce; vem e vai. A alguns anos, salve os raros e diferentes² que surgem de tempos em tempos, é assim.


¹ O Internacional tem em seu meio-campo coisas como o Alex, Guinazu - esse deu chapéu, caneta calcanhar e tudo mais no fim de semana - e D`alessandro. E no ataque, o absurdamente rápido Nilmar. O Botafogo, ainda que jogando no Engenhão, sentiu como é difícil enfrentar esse quarteto em um dia inspirado. Veja aqui o gol, bem bonitinho aliás, que D`alessandro fez.

² Cabeças pensantes raream cada vez mais, em todas as áreas. Em campo a coisa é mais dramática ainda. Difícil ver um cara que realmente pense com a bola, até mesmo sem ela. Alguém que faça o jogo parar, ou pelo menos que pareça estar mais lento. Aqui e acolá vemos um lampejo, um respiro, vestígios de alguém que faça isso aqui na nossa terra. Mas não basta. Quero mesmo um Kobe Bryant chutador de bola, isso sim! Veja abaixo esse monstro em um comercial de TV.



³ Esse ano é o ano do centenário do Atlético-MG. E para quem quiser ficar por dentro dessa história, mais especificamente sobre o título do Galo no Brasileiro de 1971, aí vai a dica: galocentenário.com.

crédito da imagem: aurelio.net

Palestrando em verde e branco

A Sociedade Esportiva Palmeiras também canta aqui no Depois do Lance.



"Olê, olê!
Eu canto: eu sou Palmeiras até morrer!
Dá-lhe alegria, alegria no coração.
Daria a vida inteira pra ser campeão!
A Taça Libertadores, obsessão!
Tem que jogar com alma e com o coração."